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Apesar de belo musicalmente e símbolo de soberania, o Hino Nacional ainda é desafio para os brasileiros

Por: Luciano Valente

Data: 01/09/2009

O Hino Nacional brasileiro é considerado por muitos de nós como um dos mais belos do mundo, compondo um time de elite com as canções da França, do Canadá, da Rússia, de Portugal e da Itália. A opinião tem respaldo de nomes de peso, como o crítico musical Arthur Nestroviski, o maestro John Neschling e o geógrafo Tiago José Berg, autor do livro “Hinos de Todos os Países do Mundo”. No entanto, apesar de admirado, nosso hino nem sempre é compreendido pelos brasileiros. Símbolo disso é o vídeo  http://www.youtube.com/watch?v=xiLB1kQeGik, em que os participantes do programa Ídolos cantam a canção na TV. Foram mais de 1 milhão de acessos.

Os erros grotescos que os participantes cometeram no programa, que foi ao ar ao vivo em rede nacional, ativam o debate sobre a dificuldade do Hino Nacional.

A história do Hino Nacional Brasileiro

Composta por Franscisco Manuel da Silva em 1822, a música do Hino Nacional brasileiro foi inicialmente chamada de “Marcha Triunfal”, e nasceu com o objetivo de celebrar a recém conquistada independência de Portugal, em sete de setembro daquele ano. A composição foi se tornando bastante popular durante os anos seguintes. Em 1831, quando Dom Pedro I abdicou do trono e se exilou em Portugal, ela ganhou a primeira letra conhecida*, em tom de desacato ao ex-imperador.

No entanto, na época da coroação de Dom Pedro II, o Hino passou a ser executado nas solenidades oficiais, sem qualquer letra, embora na época houvesse uma poesia em sua homenagem. Em 1889, após a Proclamação da República, foi realizado um concurso para a escolha de um novo Hino Nacional. Porém, a vencedora não conquistou o público, nem o próprio presidente Marechal Deodoro da Fonseca. Dezessete anos mais tarde, um novo concurso aconteceu, para eleger a melhor letra que se adaptasse ao Hino. O poema vencedor foi o de Joaquim Osório Duque Estrada. Um decreto do presidente Epitácio Pessoa, em 1922, oficializou o Hino e a letra que conhecemos hoje.

A letra do Hino

Como qualquer texto centenário, o Hino Nacional apresenta muitas passagens difíceis para uma pessoa do século XXI. São diversas palavras em desuso, outras tantas excessivamente formais e frases em ordem indireta. Vários livros e sites têm um glossário dos termos empregados na letra. Veja abaixo uma coletânea dessas observações.

No site do YouTube, há uma discussão sobre o polêmico vídeo citado acima, em que alguns mais exaltados sugerem até mudanças no texto do Hino. Muitos argumentos contra essa proposição e alguns poucos a favor estão ali. Poucos são os que têm a coragem de propor uma mudança em um dos símbolos do país. Certas coisas não devem ser mudadas, como diria outros.

Um século de tradição é algo muito significativo. Na própria história brasileira, no início da República, tentou-se criar um novo Hino, que foi prontamente rejeitado pelo povo. No livro “Hinos de Todos os Países do Mundo”, Tiago José Berg narra a história de 194 Hinos Nacionais. A famosa La Marseillaise, hino nacional francês, tem uma letra bastante agressiva, remetendo à sua origem como canto de guerra do século XVIII. Contexto este nada representativo aos dias de hoje, mas que segue importante como documento histórico francês.

Hinos são símbolos, elementos representativos e, como tais, estão difundidos pelo cotidiano de um povo. O Hino Nacional brasileiro nasceu como uma homenagem à conquista da liberdade de nosso povo. A dificuldade da letra é algo secundário.  Cabe a nós mesmos aceitarmos o desafio de entender um dos símbolos de nossa história.

Ouça o Hino Nacional executado pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) http://www.youtube.com/watch?v=IL9QPxn155I

Glossário de alguns termos do Hino Nacional

■  Margens plácidas: margens serenas, calmas.

■  Ipiranga: rio onde, às suas margens, D. Pedro I proclamou a Independência do Brasil.

■  Brado retumbante: grito forte que provoca eco.

■  Fúlgido: que brilha, cintilante.

■  Penhor:  usado de maneira metafórica (figurada), "penhor desta igualdade" é a garantia, a segurança de que haverá liberdade.

Idolatrada:  cultuada, amada.

Vívido: intenso.

Formoso:  lindo, belo.

Límpido:  puro, que não está poluído.

Imagem do Cruzeiro resplandece:  o "Cruzeiro" é a constelação do Cruzeiro do Sul que resplandece (brilha) no céu.

Impávido colosso: "colosso" é o nome de uma estátua de enormes dimensões. Estar "impávido" é estar tranquilo, calmo.

Mãe gentil:  A "mãe gentil" é a pátria; um país que ama e defende seus "filhos" (os brasileiros) como qualquer mãe.

Fulguras: fulgurante, reluzente, brilhante.

Florão: "Florão" é um ornato em forma de flor usado nas abóbadas de construções grandiosas; o Brasil seria o ponto mais importante e vistoso da América.

Garrida:  enfeitada, que chama a atenção pela beleza.

Lábaro:  sinônimo de bandeira, "lábaro" era um antigo estandarte usado pelos romanos.

Flâmula:  bandeira.

Clava forte: arma primitiva de guerra; tacape ou clava era um grande porrete usado no combate corpo-a-corpo; no Hino, significa mobilizar um exército, entrar em guerra.

*  Os bronzes da tirania

Já no Brasil não rouquejam;

Os monstros que o escravizavam

Já entre nós não vicejam

(estribilho)

Da Pátria o grito

Eis que se desata

Desde o Amazonas

Até o Prata

Ferrões e grilhões e forcas

D’antemão se preparavam;

Mil planos de proscrição

As mãos dos monstros gizavam

Comentários sobre o texto

online

O que eu estava procurando, obrigado!



14/03/2010

Maria da Conceiçào Feitosa Vieira

Realmente, o hino nacional é uma dos mais belos do mundo. Seria importante que as escolas públicas e particulares tivessem essas informações.



06/11/2009



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    Lafaete Esutáquio da Silva


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    Maria Ines Vieira

    APE - MTE


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